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Genética comprovada é o segredo para bons resultados no confinamento de bovinos

* Octávio Guilherme da Cruz e Silva

Em comparação como os últimos três anos, 2006 certamente foi um dos melhores para os confinadores até o início de outubro. Isso porque a arroba foi comercializada por mais de R$ 63,00 (praça de Araçatuba-SP, com 30 dias de prazo). Quem havia comprado todos os seus insumos até meados de junho conseguiu baratear custos. Dessa forma, foi possível experimentar momentos de rentabilidade após muitos anos torturosos.

No entanto, o quadro de melhora para os pecuaristas durou muito pouco e quem aproveitou os momentos de “disparate”, lucrou mais. Muitos confinadores ainda têm animais no cocho e terão que amargar arroba a quase R$ 50,00. Com a instabilidade do mercado, muitas vezes nossas estratégias comerciais de compra de insumos e previsão de venda de animais não funcionam. E nada é possível fazer quando o boi esta no cocho.

Dentre as muitas alternativas para a obtenção do sucesso no confinamento, uma das mais importantes, que independe de especulações, e ainda é possível conseguir valorização pela arroba, é o investimento em animais com genética de ponta. Melhor dizendo, confinar animais potencialmente mais econômicos.

Para provar que isso é possível, após terminarmos este ano o confinamento na Agropecuária Jacarezinho visualizamos estes resultados na prática. Confinamos animais provenientes da Fazenda Jacarezinho Nova Terra, nossa nova propriedade na Bahia. A qualidade genética desses animais era desconhecida, pouco melhorada e esperávamos baixos índices no desempenho zootécnico destes animais.

A dieta ofertada foi a mesma para todas as categorias, ou seja, demos a todos animais oportunidades iguais para expressarem seus potenciais. O resultado foi realmente o que esperávamos. Colocamos animais provenientes do núcleo da Jacarezinho (animais geneticamente superiores) e outros lotes de garrotes oriundos da Bahia e montamos um histórico de desempenho individual para todos dentro do confinamento. Assim foi possível estabelecer parâmetros iguais e comparar.

O resultado do confinamento este ano aqui na Jacarezinho foi muito bom. Os dados coletados impressionaram e mais uma vez a qualidade genética se destacou. Os animais “baianos” tiveram bom desempenho, com ganho diário de 1,450 kg/dia, porém péssimos rendimentos de carcaça - em torno de 52%. Eram valores esperados, pois são animais de baixos volumes que, apesar de terem bons pesos, apresentam baixos rendimentos cárneos.

Quanto se faz uma comparação com animais provenientes do nosso programa de melhoramento, tivemos a confirmação de seu potencial com os dados de desempenho. Os animais foram abatidos com 22 meses, 95 dias de confinamento, ganhando nada mais nada menos que 1,720 kg/dia e obtendo rendimento de carcaça médio de 56%. Resultado fantástico!

Diante de tais dados é preciso exaltar o mérito genético dos animais. Ao alimentarmos as duas categorias em confinamento foi possível mensurar rapidamente o status agregado com a genética Jacarezinho. Os lucros são assustadores quando se investe em genética provada, seja ela pela aquisição de tourinhos ou de sêmen. O importante é utilizar em rebanhos comerciais tais diferenciais de fácil acesso e baixos investimentos.

Transformando em valores absolutos, ter genética na propriedade significa 15,7% a mais de ganho médio diário e 7,2% a mais de rendimento de carcaça. Ou seja, se considerarmos dois animais, um “baiano” e um “Jacarezinho” de 520 kg pesado na fazenda com jejum de 14 horas, o resultado financeiro é o seguinte; supondo valor da arroba de R$ 55,00:
- “BOI BAIANO”: Peso de carcaça quente 270,4 kg (18,02@s), faturamento de R$ 991,47.
- “BOI JACAREZINHO”: Peso de carcaça quente 291,2 kg (19,42@s), faturamento de R$ 1.067,74.

A diferença é simples e direta de R$ 76,26 por animal. São 7,15% a mais em favor da genética.

Com todos esses valores ressaltamos a importância de verificar e provar no dia-a-dia da fazenda os pontos lucrativos e que nos dão mais renda. A valorização da genética apresenta resultados diretos e que, mesmo em momentos de baixa, nos garantem ganhos expressivos e visíveis, e são ainda maiores quando consideramos uma escala significativa de animais.

Portanto, adquirir genética certificada duplamente (CEIP e Qualex) é o único investimento sólido e sem risco de deságio. É possível manter a rentabilidade mesmo quando estamos em épocas de crise, principalmente nos fatores passíveis de controle.

* Octávio Guilherme da Cruz e Silva é zootecnista e responsável pelo departamento Comercial e  de Nutrição Animal da Agropecuária Jacarezinho.


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