Pecuária
 
RUMO CERTO... CONFINAR E TER BONS LUCROS
 
Com certeza, este foi um dos anos mais difíceis para os confinamentos no Brasil. Não há dúvidas que a melhora momentânea do preço do boi levou a pensarmos em maior lucratividade nos confinamentos. No entanto, aconteceu de forma brusca uma forte inversão nos preços dos insumos.
Para propriedades em que o confinamento, deixou de ser somente uma ferramenta estratégica e tornou-se um elo para maximizar a lucratividade acelerando o ciclo da pecuária, a necessidade de qualidade genética e nutricional é um fator determinante em épocas como esta, que enfrentamos no momento.
Estes dois fatores estão diretamente relacionados ao sucesso ou não desta atividade. O quadro abaixo até anos atrás poderia resumir com certeza o que ocorria no Brasil, considerando-se preço da arroba e valor dos insumos. Através destes dois fatos preditos poderíamos prever custos mais baixos na região indicada em amarelo e mais altos na região destacada em vermelho. Além disso, valores inversos em preços de arroba.
Neste último ano este quadro deixou de ser verdadeiro e a compra de insumos tornou-se na região em amarelo uma dificuldade, principalmente no segundo semestre. Este fator fez com tivéssemos uma grande diminuição dos lucros dos animais em confinamento.
 
 
Isto não podemos influenciar, o mercado de commodities é determinado, os preços dos principais insumos, soja e milho, aquecidos “na praça” fazem todos os demais produtos do mercado (inclusive sub-produtos) se aquecerem. A famosa “lei da oferta e procura” agravou ainda mais a situação.
Este fator levou a valorizarmos ainda mais a genética e vamos destacar como ela é fundamental em épocas de mercado instável e margens apertadas.
Neste ano confinamos mais de 5.000 cabeças, buscando sempre superar o desempenho obtido em 2006, formulamos a dieta para termos desempenho de 1,4 kg/animal/dia.
Estamos finalizando os abates e os resultados foram ainda mais surpreendentes. Foram confinados animais de compra oriundos da Bahia, animais “anelorados” e com certeza sem origem de propriedades que pensam em melhoramento genético, ou em qualidade do produto final. Além desses, confinamos em grande maioria animais crioulos da Jacarezinho, ao contrário, animais com melhoramento genético para características produtivas.
Todos os animais foram submetidos ao mesmo manejo e mesma dieta, permitindo que todos tivessem as mesmas condições de expressarem o seu potencial. Dessa maneira, montamos os lotes de animais buscando a maior uniformidade possível e começamos a mensurar o desempenho.
 
O quadro abaixo resume os resultados
 
Categoria
N° de Cabeças
Peso vivo Inicial - kg
Peso vivo Final - kg
Peso Carcaça quente - kg
Rendimento %
Dias em confimaneto
Ganho em quilos - kg
Ganho Diario quilos - kg
Vaca Jacarezinho 1222 424,00 477,00 242,58 50,8% 37,00 53,65 1,450
Macho Jacarezinho 818 378,00 490,23 265,04 54,1% 74,56 112,23 1,505
Boi Bahia 1810 364,00 478,32 250,57 52,4% 79,16 114,23 1,444
 
Confinamos no total para abate 4.044 cabeças, com 16,88 arrobas em média e 52% de rendimento de carcaça. Houve uma grande redução no número de dias em confinamento, 64,7 dias e um ganho médio diário de 1,462 kg.
A avaliação dos custos de um confinamento é um assunto muito peculiar e cada propriedade o faz de uma forma. Na tentativa de apresentar valores sólidos e faturamentos líquidos por animal confinado realizamos os seguintes cálculos, levando em consideração também os valores apresentados no Item 3 (Dieta).
 
A tabela abaixo demonstra os resultados
 
Categoria
Número de cabeças
Custo @
R$ magro
Custo Dieta no período
@ Venda
Fat. CB
Lucro/cb
Macho Jacarezinho 818 55,84 630,60 225,88 63,64 1.124,40 267,92
Bois Bahia 1810 60,57 607,25 239,82 63,81 1.067,60 220,53
 
Para o cálculo de valor dos animais magros (caso comprássemos todos para engordar), foi feito pelo peso de entrada sobre o valor da arroba vendida menos 15%, muito próximos aos encontrados para animais compra de boi magro.
Apesar do custo da arroba ter ficado alto, os lucros proporcionais foram satisfatórios. O maior problema foram os altos custos dos grãos ao longo do ano.
Normalmente um confinamento ele já se torna lucrativo quando o valor da arroba produzida é o mesmo da vendida. Quando este contexto acontece, existe o lucro indireto. Principalmente porque conseguimos reduzir a idade de abate e antecipar o faturamento dos animais em curto espaço de tempo.
No caso da Jacarezinho o confinamento é uma ferramenta estratégica, fundamental para o ciclo da pecuária. Para 2008, vamos procurar melhorar ainda mais nossos lucros e desempenho.
Sempre explorando nosso potencial genético. Pois temos condições de explorar ainda muito mais. Certamente a busca por insumos mais baratos será o grande desafio aos nutricionistas, formular o mais barato com melhor desempenho possível.
Em situações com este contexto, os pecuaristas, invernistas e criadores, que estão adquirindo animais oriundos de programas de melhoramento com certeza saem na frente. Animais com potencial produtivo garantido estão sendo o diferencial de lucratividade. Basta avaliarmos os resultados deste ano na Jacarezinho.
 
 
   

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